sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Que é pra ver se você volta...
Essa paz de espírito não me pertence. Eu estou forjando-a pois não me resta outra opção. Viver sob dramas e amargura não faz mais parte dos meus planos. Mas de que os planos importam, não é?
Muitos foram sabotados pelo destino... E será que se tivessem de fato se concretizado, estaríamos no mesmo lugar hoje? Não sei.
Eu me pego vasculhando a memória e me deparando com uma lembrança mais bela que a outra. Daqueles dias em que a nossa implicância era puro charme, e não rancor.
Mas hoje tudo está tão vago. Sentimentos camuflados nas malditas entrelinhas. Cansei delas.
Cansei das tuas respostas evasivas, do mistério, da fuga.
Pode ser equívoco, mas eu sinto uma fagulha de sentimento em cada palavra. Sinto como se estivesses fugindo de si mesmo. Eu sei que sou um problema, talvez o maior. Mas sei que de qualquer forma, no fundo, gostas disso.
Se algum dia resolver voltar, admitir, relevar... estarei aqui pra te oferecer um abraço desajeitado.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
domingo, 10 de fevereiro de 2013
se espremessem meu âmago
dele não sairia nada
além de palavras desconexas
um silêncio ensurdecedor
e o vulto dos teus olhos amargos
se me vasculhassem a alma
nela não veriam nada
além do desejo infindo
dos meus lábios tocarem os teus
se mexessem nas quinquilharias que residem meu coração
não achariam nada além de sentimentos confusos
um universo paralelo em que você me acalenta sob teus braços
e posso sussurrar nos teus ouvidos
o amor que nunca admiti
dele não sairia nada
além de palavras desconexas
um silêncio ensurdecedor
e o vulto dos teus olhos amargos
se me vasculhassem a alma
nela não veriam nada
além do desejo infindo
dos meus lábios tocarem os teus
se mexessem nas quinquilharias que residem meu coração
não achariam nada além de sentimentos confusos
um universo paralelo em que você me acalenta sob teus braços
e posso sussurrar nos teus ouvidos
o amor que nunca admiti
A hora do cansaço
As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gozo acre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Minha cabeça trovoa
sob meu peito te trovo
e me ajoelho
destino canções pros teus olhos vermelhos
flores vermelhas, vênus, bônus
tudo o que me for possível
ou menos
(mais ou menos)
me entrego, ofereço
reverencio a tua beleza
física também
mas não só
não só
graças a Deus você existe
acho que eu teria um troço
se você dissesse que não tem negócio
te ergo com as mãos
sorrio mal
mal sorrio
meus olhos fechados te acossam
fora de órbita
descabelada
diva
súbita…
súbita…
seja meiga, seja objetiva
seja faca na manteiga
pressinto como você chega
ligeira
vasculhando a minha tralha
bagunçando a minha cabeça
metralhando na quinquilharia
que carrego comigo
(clipes, grampos, tônicos):
toda a dureza incrível do meu coração
feita em pedaços…
minha cabeça trovoa
sob teu peito eu encontro
a calmaria e o silêncio
no portão da tua casa no bairro
famílias assistem tevê
(eu não)
às 8 da noite
eu fumo um marlboro na rua como todo mundo e como você
eu sei
quer dizer
eu acho que sei…
eu acho que sei…
vou sossegado e assobio
e é porque eu confio
em teu carinho
mesmo que ele venha num tapa
e caminho a pé pelas ruas da Lapa
(logo cedo, vapor… acredita?)
a fuligem me ofusca
a friagem me cutuca
nascer do sol visto da Vila Ipojuca
o aço fino da navalha me faz a barba
o aço frio do metrô
o halo fino da tua presença
sozinha na padoca em Santa Cecília
no meio da tarde
soluça, quer dizer, relembra
batucando com as unhas coloridas
na borda de um copo de cerveja
resmunga quando vê
que ganha chicletes de troco
lebrando que um dia eu falei
"sabe, você tá tão chique
meio freak, anos 70
fique
fica comigo
se você for embora eu vou virar mendigo
eu não sirvo pra nada
não vou ser teu amigo
fique
fica comigo…"
minha cabeça trovoa
sob teu manto me entrego
ao desafio de te dar um beijo
entender o teu desejo
me atirar pros teus peitos
meu amor é imenso
maior do que penso
é denso
espessa nuvem de incenso de perfume intenso
e o simples ato de cheirar-te
me cheira a arte
me leva a Marte
a qualquer parte
a parte que ativa a química
química…
ignora a mímica
e a educação física
só se abastece de mágica
explode uma garrafa térmica
por sobre as mesas de fórmica
de um salão de cerâmica
onde soem os cânticos
convicção monogâmica
deslocamento atômico
para um instante único
em que o poema mais lírico
se mostre a coisa mais lógica
e se abraçar com força descomunal
até que os braços queiram arrebentar
toda a defesa que hoje possa existir
e por acaso queira nos afastar
esse momento tão pequeno e gentil
e a beleza que ele pode abrigar
querida nunca mais se deixe esquecer
onde nasce e mora todo o amor.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases. Por exemplo:
- Imagens são palavras que nos faltaram.
- Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.
- Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira. Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo).
Concluindo: há pessoas que se compõem de atos, ruídos,
retratos.
Outras de palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras.
— Manoel de Barros
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