sábado, 30 de março de 2013




terça-feira, 26 de março de 2013

A menina cansou de ser só palavras.




Ela continua falando muito e não dizendo nada. Talvez assim consiga desviar a atenção dos sentimentos reais. Disfarça tristeza com euforia. Preenche o vazio com falsa alegria. E apenas sorri. Sorri e solta palavras aos quatro ventos pra que alguém acredite na realidade que ela inventa pra si mesma.
Insiste numa coisa (in)acabada apenas pra achar graça na vida. Não funciona.
Queria a pobre menina, apenas um ombro para se reclinar, e algumas carícias em seu cabelo. Queria apenas alguém que a aceitasse sendo assim mesmo, esse erro.
O batom vermelho em seus lábios não consegue forjar autoestima. E os olhos são mais tristes a cada dia.
Nem toda maquiagem consegue esconder.
A menina fala tanto, e o que queria dizer de fato mantém preso no íntimo da memória. Se pudesse gritaria seu silêncio, talvez assim alguém a compreendesse, ou você.  Sim, você. Ela só quer que pare de procurar um sentido e ache algum junto com ela. Que ame os defeitos dela tanto quanto ela ama os teus. Tanto quanto ela ama tudo em você, mesmo tentando e tendo motivos para odiar.

Escrever na terceira pessoa não muda os fatos, tenho que aprender.

quarta-feira, 20 de março de 2013


O Amor, Meu Amor

Nosso amor é impuro 
como impura é a luz e a água 
e tudo quanto nasce 
e vive além do tempo. 

Minhas pernas são água, 
as tuas são luz 
e dão a volta ao universo 
quando se enlaçam 
até se tornarem deserto e escuro. 
E eu sofro de te abraçar 
depois de te abraçar para não sofrer. 

E toco-te 
para deixares de ter corpo 
e o meu corpo nasce 
quando se extingue no teu. 

E respiro em ti 
para me sufocar 
e espreito em tua claridade 
para me cegar, 
meu Sol vertido em Lua, 
minha noite alvorecida. 

Tu me bebes 
e eu me converto na tua sede. 
Meus lábios mordem, 
meus dentes beijam, 
minha pele te veste 
e ficas ainda mais despida. 

Pudesse eu ser tu 
E em tua saudade ser a minha própria espera. 

Mas eu deito-me em teu leito 
Quando apenas queria dormir em ti. 

E sonho-te 
Quando ansiava ser um sonho teu. 

E levito, voo de semente, 
para em mim mesmo te plantar 
menos que flor: simples perfume, 
lembrança de pétala sem chão onde tombar. 

Teus olhos inundando os meus 
e a minha vida, já sem leito, 
vai galgando margens 
até tudo ser mar. 
Esse mar que só há depois do mar. 

Mia Couto, in "idades cidades divindades"


"(...) Você anda em zigue-zague, despista o coração, sufoca a dor e faz essas coisas de quem se perde toda hora. E o que eu faço? Fico te esperando no fim da estrada. Fico olhando seu caminho desequilibrado como se eu tivesse algum equilíbrio, te esperando no fim da linha e como se você fosse o "trem e eu a estação". Fico esperando para segurar teu coração que foge pela boca e dar carinho à dor que teima em dizer "não é nada". Você tropeça, me erra, cega o sentimento, pega um atalho, vai, volta, teima, manda embora, foge e depois se acanha no acostamento pensando que ninguém vê. E eu? Eu me deito para ser o teu acostamento."

(Camila Costa)

terça-feira, 19 de março de 2013

Apatia.

Sou a favor do sofrimento, sabe. O vazio é uma dor que não informa onde está alojada. O sofrimento é tangível, dá pra ter noção da ferida, e calcular a recuperação pra tal estrago. E o vazio? É só um abismo de nada. Estou caindo sem ao menos saber de onde, em que, e quando o chão vai chegar.

sábado, 16 de março de 2013

Sigo arquitetando planos para desaparecer




Não sou uma pessoa que segue o modelo convencional, daquelas que  quando se sentem deprimidas comem um pote de sorvete, meia dúzia de chocolates, e tudo bem. Na verdade não gosto de chocolate, e nem de sorvete. Eu nem ao menos me permito ficar triste com a solidão. Tento encará-la de forma otimista. "Melhor só do que mal acompanhada". Ultimamente ando me sentindo superior a todo mundo. Não por prepotência, porque realmente não tenho essa segurança toda. Mas sim pela babaquice exacerbada que me cerca. Pela mesquinharia que vomitam todos os dias e meus olhos são obrigados a ver. Me sinto alheia a toda essa situação. Como se eu vivesse num universo paralelo e fosse mera espectadora desse mundo frívolo com toda essa gente pedante. O problema é que eu não consigo mudar o canal, e por falta de opção, desligo a mim mesma. Me isolo de toda essa sujeira e saboreio o gosto amargo desse asco que sinto por todos. Isso é triste. É triste desprezar meus amigos, meus amores e todo o resto. É triste estar sozinha num mundo estranho onde as teorias são todas do caos. É triste conviver com os pensamentos e não ter ninguém pra compartilhar. É triste não acreditar em mais nada. Mas, tudo bem, vou superar. "Não preciso mais do que um filme ruim e alguma melodia amarga pra me sentir bem."

segunda-feira, 11 de março de 2013



Ele me segura em seus braços
Bêbada, vejo estrelas
Só consigo pensar nisso.

domingo, 10 de março de 2013


sexta-feira, 8 de março de 2013

Não se afobe não, que nada é pra já...



É como aquela música velha que nunca nos cansamos de ouvir... Nosso filme só se repete, e eu assisto incontáveis vezes com a esperança de que o final mude algum dia. Não muda.
Ontem uma amiga me disse sem dó nem piedade que esse amor está mais frio que os sentimentos dela. E olhe, ela tem um coração bem gelado. Cheguei à óbvia conclusão de que usar todas as figuras de linguagem possíveis para dar intensidade ao sentimento, não adianta. As palavras não podem carregar todo o resto nas costas. Não adianta poetizar um amor que não tem coragem nem pra existir. Não somos, nunca fomos, e seremos, algum dia? Não sei. Todas as certezas se esvaem como poeira entre meus dedos. Às vezes, me sinto tão próxima que chego a ouvir teus batimentos cardíacos a longa distância. Às vezes, me sinto tão distante que teu rosto não passa de um borrão em minha memória.  Cansei do quase. Cansei de reciclar momentos bonitos pra transformá-los em versos bonitos. "Porque nada disso nunca valeu o risco."
Se fôssemos nos julgar matematicamente, seríamos um conjunto vazio. Sem solução.
Analisando fisicamente, somos iguais e opostos ao mesmo tempo. Por isso hora nos atraímos, e hora nos repelimos. Na poesia, nosso amor é o vácuo de algo tangível que nunca existiu. É julgado apenas por suposições e deduções que podem ou não ter nexo. Ora, poeticamente tudo é plausível, até o irreal. Mas até poetas se cansam de hiperbolizar sentimentos que já estão apagados.
Então, faz assim. Me encontra mesmo sem querer nas músicas, nos filmes, nas frases do Drummond, e na Estrela da Manhã, do Bandeira. Me encontra no teu carro cantando The Scientist mesmo que no meu lugar já esteja outra pessoa. Me encontra jogando videogame no teu quarto e implorando pra que me deixe vencer, mesmo que tua cama agora esteja vazia. Me encontra nas piadas que já não tem a mesma graça porque não me contou.   Enquanto você me encontra, me perde e volta a me procurar, eu sigo me esforçando pra que não se esvaias de mim. Eu sigo remoendo tudo, intensificando tudo, desistindo e voltando a insistir. Sigo renovando o ciclo, sozinha com minhas palavras. Só não me peça pra não me afobar.