domingo, 2 de dezembro de 2012
Eu gosto de você.
Eu só queria dizer: “eu gosto de você, eu gosto de você, eu gosto de você”. Explicar que me encantei pelas tuas cicatrizes, pelo teu olhar distante e por esse teu silêncio que consegue me dizer tanto. Me livrar da armadura de orgulho pela qual estou encoberta e escancarar sem medo essa minha vontade de te abraçar por umas 3 horas seguidas. Ser sincera e dizer que não foi planejado, mas que eu também não senti vontade recuar. Não sou do tipo que abandona o navio. Se afundar, eu me viro e aprendo a nadar. Mas fugir, nunca. E no fundo acho que era pra ser assim mesmo, eu guardando seu espaço aqui dentro, num canto bem quentinho e confortável, e você aí fora procurando um lugar pra aquietar tua cabeça confusa. Se soubesses que tens um lugar aqui, viria? Não sei. Por isso não ouso te convidar. Não gosto de deduções, apesar da minha mania de deduzir tudo compulsivamente, prefiro os fatos. E, de fato você é imprevisível demais pr’eu arriscar. Então, continuo disfarçando meu querer, com essa minha implicância.
Continuo analisando tuas palavras, buscando algo camuflado nas entrelinhas que possa me ajudar a decifrar todos os teus enigmas. Uma vez eu te disse que a gente se repele. Parece que somos intocáveis um para o outro. Longe eu te gosto, perto, nem tanto assim. Mas no geral, eu te preciso.
É como se tu fosse um refúgio pra eu fugir de mim mesma. E é bom esquecer do mundo enquanto ouço tua voz. Ela não é a mais bonita do mundo, mas é tua. Só isso me basta. Te ter um pouquinho na minha vida, e fazer parte de um pedacinho da sua, já me basta. E quem sabe, depois… descubramos em nós um abrigo recíproco pra nos escondermos do resto do mundo. Enquanto isso, mantenho esse segredo, não tão implícito assim, porque meu sorriso te diz muito. Tomara que um dia você consiga perceber.
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