sexta-feira, 8 de março de 2013

Não se afobe não, que nada é pra já...



É como aquela música velha que nunca nos cansamos de ouvir... Nosso filme só se repete, e eu assisto incontáveis vezes com a esperança de que o final mude algum dia. Não muda.
Ontem uma amiga me disse sem dó nem piedade que esse amor está mais frio que os sentimentos dela. E olhe, ela tem um coração bem gelado. Cheguei à óbvia conclusão de que usar todas as figuras de linguagem possíveis para dar intensidade ao sentimento, não adianta. As palavras não podem carregar todo o resto nas costas. Não adianta poetizar um amor que não tem coragem nem pra existir. Não somos, nunca fomos, e seremos, algum dia? Não sei. Todas as certezas se esvaem como poeira entre meus dedos. Às vezes, me sinto tão próxima que chego a ouvir teus batimentos cardíacos a longa distância. Às vezes, me sinto tão distante que teu rosto não passa de um borrão em minha memória.  Cansei do quase. Cansei de reciclar momentos bonitos pra transformá-los em versos bonitos. "Porque nada disso nunca valeu o risco."
Se fôssemos nos julgar matematicamente, seríamos um conjunto vazio. Sem solução.
Analisando fisicamente, somos iguais e opostos ao mesmo tempo. Por isso hora nos atraímos, e hora nos repelimos. Na poesia, nosso amor é o vácuo de algo tangível que nunca existiu. É julgado apenas por suposições e deduções que podem ou não ter nexo. Ora, poeticamente tudo é plausível, até o irreal. Mas até poetas se cansam de hiperbolizar sentimentos que já estão apagados.
Então, faz assim. Me encontra mesmo sem querer nas músicas, nos filmes, nas frases do Drummond, e na Estrela da Manhã, do Bandeira. Me encontra no teu carro cantando The Scientist mesmo que no meu lugar já esteja outra pessoa. Me encontra jogando videogame no teu quarto e implorando pra que me deixe vencer, mesmo que tua cama agora esteja vazia. Me encontra nas piadas que já não tem a mesma graça porque não me contou.   Enquanto você me encontra, me perde e volta a me procurar, eu sigo me esforçando pra que não se esvaias de mim. Eu sigo remoendo tudo, intensificando tudo, desistindo e voltando a insistir. Sigo renovando o ciclo, sozinha com minhas palavras. Só não me peça pra não me afobar.

2 comentários:

Mirror, mirror won't you kiss my check? disse...

"A cidade vai pensar, que nada aconteceu em vão...". Não cabe à mim no meu 'papel' de amiga te iludir. Mas talvez deva fazer uma pré-suposição de que nada disso pode ser em vão. De que algum propósito ou recompensa terá.

Keury Caroline disse...

Você, mas do que ninguém, entende toda a história. Enfim... "Acho graça
que isso sempre foi assim...
mas você me chama pro mundo e me faz sair do fundo de onde eu tô de novo."
Sei lá, às vezes acho que tudo é e sempre foi paranóia da minha mente. Que tudo foi irrelevante.