Há tempos eu não gastava meus verbos e figuras de linguagem num texto sobre você. Depois que tu saiu da minha vida eu aprendi a fazer poesia e me convenci que não faria nenhuma pra ti pois tu dedicou as mais bonitas pra quem nem sabe o que é sentir o âmago afagado por palavras. Na verdade eu não te faço poesia porque mesmo não te poetizando eu não consigo te apagar, imagina se.
Eu teria muitos temas pra compor meus versos estrofes e rimas, te faria os sonetos mais bonitos, de modo modernista e não parnasiano, pois o sentimento é muito e a preocupação com a estética é pouca. Entretanto, esqueço a métrica e a forma e decido te deixar só em mim, sem te mostrar pra ninguém, e te mostrando pra todo mundo ao mesmo tempo. Incrível como qualquer movimento mais brusco revela minha alma ainda esfolada. Eu ainda procuro teus olhos tristes nos olhos de todos os rostos que acho por aí. Eu ainda procuro alguém que sorria pouco. Alguém que cante desafinadamente comigo. Alguém que tenha medo de me abraçar. Eu acho resquícios teus perdidos por aí mas nunca é o suficiente. Eu me apaixono por outras manias, por outros trejeitos, por outras vozes, mas nada se compara com as tuas peculiaridades. Eu me lembro de cada uma delas, desde gostar de comer maçã até ouvir Tchaikovsky antes de dormir. Eu não sei se gosto de ti como algo físico ou só da sua essência de antes misturada ao meu platonismo. Só sei que dói, e minha vontade é ir chorar você pra você.
Assim como eu chorava outras coisas e sempre recebia conselhos, poemas e músicas reconfortantes. Os dias longe já não me doem, mas eu ainda sinto vontade de saber cada detalhe do seu dia, de te ver lembrar de mim com algum filme, de você fugindo, sendo monossilábico e evasivo. Eu sinto a tua falta em tudo, mesmo sem saber se tu existe mesmo ou se eu só personifiquei um amor que nunca existiu.
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