sábado, 2 de maio de 2015

és a anáfora oculta
dos meus versos
e te carrego também no peito
em eterna repetição
em notas, letras e símbolos
que se agregam
ao resto da minha vida

apareces na minha poesia
como a terra de Hilda Hilst
passarinho de Manoel de Barros
diminutivo de Vinicius de Moraes
bebida de Bukowski
primavera de Neruda
verme de Augusto dos Anjos
epifania de Clarice

quisera eu me livrar
dessa angustiante
monomania
mas são os astros
do teu teto
as constelações
da tua pele
que compõem

o meu universo
povoado de silêncio

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