sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Que é pra ver se você volta...
Essa paz de espírito não me pertence. Eu estou forjando-a pois não me resta outra opção. Viver sob dramas e amargura não faz mais parte dos meus planos. Mas de que os planos importam, não é?
Muitos foram sabotados pelo destino... E será que se tivessem de fato se concretizado, estaríamos no mesmo lugar hoje? Não sei.
Eu me pego vasculhando a memória e me deparando com uma lembrança mais bela que a outra. Daqueles dias em que a nossa implicância era puro charme, e não rancor.
Mas hoje tudo está tão vago. Sentimentos camuflados nas malditas entrelinhas. Cansei delas.
Cansei das tuas respostas evasivas, do mistério, da fuga.
Pode ser equívoco, mas eu sinto uma fagulha de sentimento em cada palavra. Sinto como se estivesses fugindo de si mesmo. Eu sei que sou um problema, talvez o maior. Mas sei que de qualquer forma, no fundo, gostas disso.
Se algum dia resolver voltar, admitir, relevar... estarei aqui pra te oferecer um abraço desajeitado.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
domingo, 10 de fevereiro de 2013
se espremessem meu âmago
dele não sairia nada
além de palavras desconexas
um silêncio ensurdecedor
e o vulto dos teus olhos amargos
se me vasculhassem a alma
nela não veriam nada
além do desejo infindo
dos meus lábios tocarem os teus
se mexessem nas quinquilharias que residem meu coração
não achariam nada além de sentimentos confusos
um universo paralelo em que você me acalenta sob teus braços
e posso sussurrar nos teus ouvidos
o amor que nunca admiti
dele não sairia nada
além de palavras desconexas
um silêncio ensurdecedor
e o vulto dos teus olhos amargos
se me vasculhassem a alma
nela não veriam nada
além do desejo infindo
dos meus lábios tocarem os teus
se mexessem nas quinquilharias que residem meu coração
não achariam nada além de sentimentos confusos
um universo paralelo em que você me acalenta sob teus braços
e posso sussurrar nos teus ouvidos
o amor que nunca admiti
A hora do cansaço
As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gozo acre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Minha cabeça trovoa
sob meu peito te trovo
e me ajoelho
destino canções pros teus olhos vermelhos
flores vermelhas, vênus, bônus
tudo o que me for possível
ou menos
(mais ou menos)
me entrego, ofereço
reverencio a tua beleza
física também
mas não só
não só
graças a Deus você existe
acho que eu teria um troço
se você dissesse que não tem negócio
te ergo com as mãos
sorrio mal
mal sorrio
meus olhos fechados te acossam
fora de órbita
descabelada
diva
súbita…
súbita…
seja meiga, seja objetiva
seja faca na manteiga
pressinto como você chega
ligeira
vasculhando a minha tralha
bagunçando a minha cabeça
metralhando na quinquilharia
que carrego comigo
(clipes, grampos, tônicos):
toda a dureza incrível do meu coração
feita em pedaços…
minha cabeça trovoa
sob teu peito eu encontro
a calmaria e o silêncio
no portão da tua casa no bairro
famílias assistem tevê
(eu não)
às 8 da noite
eu fumo um marlboro na rua como todo mundo e como você
eu sei
quer dizer
eu acho que sei…
eu acho que sei…
vou sossegado e assobio
e é porque eu confio
em teu carinho
mesmo que ele venha num tapa
e caminho a pé pelas ruas da Lapa
(logo cedo, vapor… acredita?)
a fuligem me ofusca
a friagem me cutuca
nascer do sol visto da Vila Ipojuca
o aço fino da navalha me faz a barba
o aço frio do metrô
o halo fino da tua presença
sozinha na padoca em Santa Cecília
no meio da tarde
soluça, quer dizer, relembra
batucando com as unhas coloridas
na borda de um copo de cerveja
resmunga quando vê
que ganha chicletes de troco
lebrando que um dia eu falei
"sabe, você tá tão chique
meio freak, anos 70
fique
fica comigo
se você for embora eu vou virar mendigo
eu não sirvo pra nada
não vou ser teu amigo
fique
fica comigo…"
minha cabeça trovoa
sob teu manto me entrego
ao desafio de te dar um beijo
entender o teu desejo
me atirar pros teus peitos
meu amor é imenso
maior do que penso
é denso
espessa nuvem de incenso de perfume intenso
e o simples ato de cheirar-te
me cheira a arte
me leva a Marte
a qualquer parte
a parte que ativa a química
química…
ignora a mímica
e a educação física
só se abastece de mágica
explode uma garrafa térmica
por sobre as mesas de fórmica
de um salão de cerâmica
onde soem os cânticos
convicção monogâmica
deslocamento atômico
para um instante único
em que o poema mais lírico
se mostre a coisa mais lógica
e se abraçar com força descomunal
até que os braços queiram arrebentar
toda a defesa que hoje possa existir
e por acaso queira nos afastar
esse momento tão pequeno e gentil
e a beleza que ele pode abrigar
querida nunca mais se deixe esquecer
onde nasce e mora todo o amor.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases. Por exemplo:
- Imagens são palavras que nos faltaram.
- Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.
- Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira. Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo).
Concluindo: há pessoas que se compõem de atos, ruídos,
retratos.
Outras de palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras.
— Manoel de Barros
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Resíduo
De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil…
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver… de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Serás o meu amor, serás a minha paz.
Consta nos astros, nos signos, nos búzios.. Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás. Serás o meu amor, serás a minha paz.
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas... Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais. Serás o meu amor, serás a minha paz.
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar. Mas se o destino insistir em nos separar... Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas. Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos... Profetas, sinopses, espelhos, conselhos. Se dane o evangelho e todos os orixás. Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz.
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela, está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz... Serás o meu amor, serás a minha paz. Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis... Consta nos Ovnis, no Pravda, na Vodca. (...) Serás o meu amor, serás a minha paz.
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas... Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais. Serás o meu amor, serás a minha paz.
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar. Mas se o destino insistir em nos separar... Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas. Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos... Profetas, sinopses, espelhos, conselhos. Se dane o evangelho e todos os orixás. Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz.
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela, está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz... Serás o meu amor, serás a minha paz. Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis... Consta nos Ovnis, no Pravda, na Vodca. (...) Serás o meu amor, serás a minha paz.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Eu desconfio que amor é você.
Pareço estar imersa numa vida que não é minha, e que eu não quero viver. As ondas sutilmente me carregam e eu já não consigo interferir. Não sei se me compreende. Uma vez ele deitou no meu colo e eu chorei. Chorei por desejar que ele fosse você. Quando ele me diz aquelas coisas lindas, eu desejo que seja você me dizendo aquelas suas grosserias costumeiras. Quando o celular alerta uma nova mensagem, eu me decepciono ao ver que ela não é sua. Uma vez ele me disse que eu deveria ser fofa cantando, e eu logo pensei nas inúmeras vezes que cantei pra você e tu disse que eu cantava horrivelmente mal. Tudo é você. As estrelas são você. Os livros são você. Os filmes são você... tem seu nome em todos os lugares.
Outro dia eu tava andando com ele no shopping, vi o quadro do Pink Floyd, o mesmo que tens no teu quarto, e senti a maior tristeza do mundo. É dilacerante essa minha impotência. Queria me deixar levar pela impulsividade, berrar na sua cara todos esses sentimentos e essas palavras não ditas que me sufocam. Mas eu sempre desisto, porque minha razão sempre barra minha parte mulherzinha sentimental.
Essa tua indiferença dói muito, mas ela é compreensível. No fundo eu acho realmente que você também me ama em segredo. Ou me odeia. Ou me ama e odeia ao mesmo tempo.
Eu fico horas tentando chegar a uma explicação convincente pro que acontece com a gente, mas é sempre em vão. Você vai ser sempre assim. E eu também. Implicância mútua. Orgulho também.
O medo de gostar de você só não supera o medo que tenho de te perder. Mas perder o que? Sei lá. Só a tua presença. Teu cheiro que eu ainda consigo sentir no ar. Tuas manias. O som da tua voz. Teus gestos e tuas caras engraçadas. Não quero perder teu mistério. Tua fragilidade camuflada nessa armadura de rancor que você veste. Eu vejo além. Você sabe que sim. Se a tua teoria estiver certa e nossa mente estiver criando tudo isso... é uma ilusão realmente perfeita. Porque eu te quero tanto... Quero te encher de porrada e pedir pra ficar de uma vez na merda da minha vida, e nunca mais ir embora. Quero pedir pra dividir seus medos comigo, que aí a gente se soma, se divide, mas soluciona todos os problemas. Ou arrumamos outros. Não importa... estaremos juntos, daremos um jeito. Quero que pare de doar sua intensidade pra essas pessoas fúteis e vazias, e me enxergar. Tão complicada e intensa quanto você. Quero mais abraços desajeitados e mais madrugadas ouvindo Jorge Ben. Eu só quero você, de qualquer jeito e em qualquer circunstância.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
A coisa mais linda que já me foi dedicada.
Que estranha maneira de se apresentar
Utilizando heróis a nos inspirar
De diálogos intensos
Vimo-nos imensos
Pois, o que lá diremos
Grandiosos fatos nos aparentemos
E sento-me a observar
Admira-me, seu pensar
De objetivos e subjetivos
Destruindo a funesta
Realidade que nos contesta
Uma jovem mulher
Responsável pelo objetivo que couber
Porém, o silêncio
Seu aliado, seu pronúncio
A inspira com fortificação e prudência
Agindo com razão e paciência
A humana que abandonara a complexidade mundana
Buscando a maioridade Kantiana
És uma estrela norte
A qual olho e me faz forte
Um ser amável
De harmonia admirável
Apreciadora da arte do amor
Assim como da morte e o horror
Impossível descrever em totalia
Uma mulher com tal autonomia
Expressiva, sensitiva
Ou, simplesmente....
Uma bela poesia.
(Lucas Campigotto)
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Às vezes sinto a sua cabeça muito distante. Embora eu fique roendo as unhas de vontade de pedir para entrar nos seus outros mundos, não peço. Sei que você precisa desse espaço tanto quanto eu preciso desse meu sentada aqui escrevendo enquanto te vejo fingir que não sabe que é sobre nós, sempre é. Você aí, eu aqui, e juntos mesmo assim. Você com o seu “eu” e eu com o meu. Tudo o que carregamos nessas confusões poderia ser um prato perfeito para o fim, para descobrirmos a loucura que é pensarmos que dois olhares perdidos como crianças abandonadas podem se achar um no outro como os nossos se acharam. E quem não se acharia num olhar como o seu? Tão forte e tão doce… Tão criança num corpo adulto. Viaja para bem longe e volta, querendo abrigo, querendo curar as feridas que – eu sei – fogem de mim. Eu te dou o abrigo e peço abrigo. Eu te sou companhia e te peço companhia. Eu te dou amor e peço baixinho, apenas disfarçando o olhar triste, um carinho na cabeça que me faça dormir ao menos por hoje. Às vezes, sinto que você me precisa para fugir de si. Eu só preciso dizer que essa caneta e esse papel também cansam. O mundo me cansa. Eu também te preciso para fugir de mim.
(Camila Costa)
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Passagem da Noite
É noite. Sinto que é noite
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se desânimo.
Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.
E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?
É noite no meu amigo.
É noite no submarino.
É noite na roça grande.
É noite, não é morte, é noite
de sono espesso e sem praia.
Não é dor, nem paz, é noite,
é perfeitamente a noite.
Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, posse das ruas.
Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.
Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos.
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!
Carlos Drummond de Andrade
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se desânimo.
Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.
E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?
É noite no meu amigo.
É noite no submarino.
É noite na roça grande.
É noite, não é morte, é noite
de sono espesso e sem praia.
Não é dor, nem paz, é noite,
é perfeitamente a noite.
Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, posse das ruas.
Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.
Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos.
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!
Carlos Drummond de Andrade
Hello, stranger.
Tua existência causa um enorme nó na minha garganta. Eu não te entendo e vai ver é por isso que eu te amo tanto assim. Na verdade não sei se é amor. Mas se não for, é uma coisa bem próxima. Parabéns por ter conseguido essa proeza vinda de mim e do meu coração que sempre foi tão gelado e impenetrável. Há muito tempo te notei e te observei de longe, admirando seu jeito excêntrico, em silêncio e involuntariamente. Você sempre me atraiu sem nem eu mesma saber. Não sabia que chegaríamos neste ponto. Antigamente, quando eu te via no ônibus, eu reparava seu jeito quieto e quase inexpressivo. Isso sempre me chamou a atenção. A escassez dos teus sorrisos, faz com que eles tenham mais valor quando aparecem por acaso em seus lábios. Depois que nos tornamos amigos e confidentes, seja lá que porra você denomina o que a gente tem, eu aprendi muita coisa. Eu tive que agir minuciosamente muitas vezes para tentar decifrar as entrelinhas das tuas palavras enigmáticas. Sempre tentei mentir pra mim, pra você e o pro resto do mundo, que não sentia nada. Mas eu sempre falho. Eu sou um erro, lembra? Pois é. A menina dramática que tem sempre o mesmo enredo nas conversas, que te incomoda e que implica com você por mero charme. Sei que não sou boa o suficiente. Sei que você é complicado e que nossas complicações juntas acabariam resultando em catástrofe. Não sei se o que você sente é medo. De mim, do sentimento, ou de você mesmo... Você me inspira. Depois que você apareceu, eu pude enxergar um mundo mais habitável através do profundo desses teus olhos doentios. Antes Chico era só um cantor. Drummond era só um poeta, e as estrelas eram apenas astros pelos quais eu tinha uma certa adoração. Agora eu desejo ouvir Chico abraçada em você, enquanto recitamos algum poema juntos, olhando pro céu estrelado. Entende? "Amar o perdido deixa confundido este coração...."
Se fosse fácil, não seria com a gente. Eu sempre disse que a gente se repelia. Mas a verdade é que eu sempre te quis tanto que sentia até medo de chegar perto demais. Por isso essa implicância, essa distância e esse maldito silêncio. Você nem ao menos gosta de pessoas. Por que gostaria de mim? Improvável.
Você, o garoto indiferente, que desperta interesse em muitas garotas por ser inteligente e interessante, mas que espanta quase todas elas por ser desinteressado. Ou por se interessar só pelas mais fúteis. O garoto que tenta parecer desprezível, mas que através dos meus olhos, é um menino perdido precisando ser cuidado.
Eu acho que te conheço um pouco. Só não decifrei ainda essa coisa que nunca soube o que é. Esse teu segredo misterioso que me faz querer enlouquecer por nunca conseguir desvendar. Não sei o que significa a madrugada que fugimos no meio da noite, pra você. Mas eu gostei de fugir, cantar com você, e gostei da sua presença, como sempre gosto mesmo que eu finja que não. Não sei o que sente quando me olha. Ou quando me ouve. Ou o que sentiu quando eu estava bêbada na tua cama, te abraçando e deitada no teu ombro, enquanto você segurava o livro de poemas pra eu ler. Eu estava tentando parecer sóbria, mas as letras pareciam dançar música eletrônica. Tudo pra ter um motivo pra ficar um pouquinho mais na nossa cena de filme. Sentindo o cheiro de amaciante da tua roupa e ouvindo os teus batimentos cardíacos. Eu desejei ficar naquele lugar pro resto da vida. Mas quanto a você, eu não sei. Eu nunca sei.
Não sei se um dia dará certo, se vai ficar adormecido, ou se nem vamos mais nos falar algum dia. Mas sei que se você é apenas uma criação da minha mente, ela te criou encantadoramente.
"......Não se afobe não, que nada é pra já. O amor não tem pressa, ele pode esperar.........."
domingo, 2 de dezembro de 2012
Nosso ódio tem um pouco de amor subentendido.
À princípio, queria deixar claro que as palavras a seguir, não deveriam existir. Não mesmo. E se daqui uns minutos elas existirem, é tudo culpa dessa minha ânsia em expressar tudo que sinto. Sentimentos sufocados me fazem agonizar. Elas não são por você, são por mim, que fique claro. Não faria sentido escrever algo bonito pra alguém tão errôneo, tão estranho e tão….. eu. Você não deveria me inspirar, deveria ser apenas mais um entre a multidão, mas você não quis passar em branco. Você fez questão de fazer a diferença pra mim. Eu não deveria associar coisas e sentimentos bonitos à sua pessoa. O problema é que mesmo tentando ser desprezível você continua sendo amável. E eu me interesso mesmo por coisas difíceis, complexas, indefiníveis. A culpa é minha. A culpa de tudo é sempre minha, sabes disso. Você é praticamente um labirinto escuro e cheio de obstáculos mortais. Metáfora infeliz, tenho ciência disso. Mas é que eu me perco em você, e não me acho mais. Não é como se tu fosse me ajudar a encontrar o caminho de volta. E isso é tão inseguro, medonho.. e você sabe que eu odeio ficar exposta à situações em que os riscos de tragédia são grandes. Mas tu chega e sabota o meu desinteresse por pessoas. Seus olhos doentios, me convidam a desvendar a alma que você diz não possuir, e quem sabe, colocar algum brilho no fundo deles. Seus raros sorrisos espontâneos me instigam a fazê-los aparecer mais vezes em seus lábios. Porque você fica tão lindo sorrindo. Sabe, não é como se eu narrasse uma história de amor. É diferente de tudo que já foi escrito, ou de qualquer outro sentimento rotulado. Mesmo sendo totalmente opostos, nossas companhias nos são agradáveis. E nem pense em negar. Eu sei que no fundo você gosta de expor seus desvarios e ouvir os meus. E eu coloco um pouquinho de afeto nos nossos abraços desajeitados. Mas é só um pouquinho. Já tive tantas paixões durante minha existência, umas medíocres, umas intensas, outras decepcionantes. E todas admitidas. Mas você… não pode ser. Não vou admitir porque acho que não daria pra juntar tanta estranheza, e acontecer alguma coisa saudável. Seria muito trágico. Por isso não ouso dizer, demonstrar, e admitir. A não ser por meio dessas palavras tortas, remetidas a uma pessoa mais torta ainda. E.. quero dizer também, que odeio minha mania de gostar do mistério, principalmente do seu. E que às vezes eu penso que nós.. daríamos certo. Só às vezes acho que pode caber muito amor dentro do nosso ódio.
It's you, it's you, it's all for you...
Tudo o que faço, eu digo, é você o tempo todo. O Céu é um lugar na Terra com você. Me diga tudo o que quer fazer. Ouvi dizer que você gosta de meninas más. Querido, isso é verdade? É melhor do que eu imaginava.
Eu gosto de você.
Eu só queria dizer: “eu gosto de você, eu gosto de você, eu gosto de você”. Explicar que me encantei pelas tuas cicatrizes, pelo teu olhar distante e por esse teu silêncio que consegue me dizer tanto. Me livrar da armadura de orgulho pela qual estou encoberta e escancarar sem medo essa minha vontade de te abraçar por umas 3 horas seguidas. Ser sincera e dizer que não foi planejado, mas que eu também não senti vontade recuar. Não sou do tipo que abandona o navio. Se afundar, eu me viro e aprendo a nadar. Mas fugir, nunca. E no fundo acho que era pra ser assim mesmo, eu guardando seu espaço aqui dentro, num canto bem quentinho e confortável, e você aí fora procurando um lugar pra aquietar tua cabeça confusa. Se soubesses que tens um lugar aqui, viria? Não sei. Por isso não ouso te convidar. Não gosto de deduções, apesar da minha mania de deduzir tudo compulsivamente, prefiro os fatos. E, de fato você é imprevisível demais pr’eu arriscar. Então, continuo disfarçando meu querer, com essa minha implicância.
Continuo analisando tuas palavras, buscando algo camuflado nas entrelinhas que possa me ajudar a decifrar todos os teus enigmas. Uma vez eu te disse que a gente se repele. Parece que somos intocáveis um para o outro. Longe eu te gosto, perto, nem tanto assim. Mas no geral, eu te preciso.
É como se tu fosse um refúgio pra eu fugir de mim mesma. E é bom esquecer do mundo enquanto ouço tua voz. Ela não é a mais bonita do mundo, mas é tua. Só isso me basta. Te ter um pouquinho na minha vida, e fazer parte de um pedacinho da sua, já me basta. E quem sabe, depois… descubramos em nós um abrigo recíproco pra nos escondermos do resto do mundo. Enquanto isso, mantenho esse segredo, não tão implícito assim, porque meu sorriso te diz muito. Tomara que um dia você consiga perceber.
Olá.
Resolvi reciclar esse blog, que eu já não utilizava há muito tempo, para postar textos de autoria e qualquer coisa que me der na telha, sem que ninguém me stalkeie. Enfim. É isso. Beijos, strangers.
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